A encefalite japonesa é uma infeção rara mas grave transmitida por mosquitos. Saiba quem deve considerar a vacinação antes de viajar e como o vírus se propaga.
O que é a encefalite japonesa e por que os viajantes perguntam sobre ela
A encefalite japonesa é uma infecção rara, mas grave, causada por um vírus transmitido por picadas de mosquitos. O NHS afirma que ela não existe no Reino Unido e ocorre sobretudo em zonas rurais da Ásia, embora seja raro que os viajantes a contraiam. A Organização Mundial da Saúde informa que 24 países das suas Regiões do Sudeste Asiático e do Pacífico Ocidental apresentam risco de transmissão, abrangendo mais de 3 mil milhões de pessoas. Na maioria das pessoas infectadas, não há sintomas. Uma pequena proporção desenvolve doença grave. Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, o vírus pertence ao mesmo complexo antigénico do vírus do Nilo Ocidental. Conhecer a geografia e os hábitos dos mosquitos ajuda os viajantes a avaliar o próprio risco com calma.
Como o vírus se propaga entre mosquitos, aves e porcos
O vírus mantém-se num ciclo enzoótico entre mosquitos, aves aquáticas e porcos. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças descreve o ciclo como envolvendo mosquitos Culicidae, aves aquáticas Ardeidae, como garças e socós, e porcos. Na Ásia, Culex tritaeniorhynchus e Culex vishnui parecem ser os vectores de manutenção mais importantes. Culex pipiens pipiens, Culex pipiens molestus e Culex quinquefasciatus apresentam eficiência de transmissão moderada, e a transmissão transovariana foi demonstrada em algumas espécies de Aedes. A Organização Mundial da Saúde afirma que o vírus circula entre mosquitos, porcos e aves aquáticas. Os seres humanos e os cavalos são hospedeiros finais, ou seja, podem ser infectados, mas não contribuem para o ciclo de transmissão (ECDC). A Organização Mundial da Saúde acrescenta que as pessoas infectadas não desenvolvem virémia suficiente para infectar os mosquitos que se alimentam de sangue (OMS), pelo que os doentes continuam a ser hospedeiros finais neste ciclo.
Quando e onde o risco de transmissão é maior
A transmissão segue as estações dos mosquitos e os padrões agrícolas. A Organização Mundial da Saúde afirma que, na Ásia temperada, a transmissão ocorre sobretudo na estação quente, quando podem surgir grandes epidemias. Nas zonas tropicais e subtropicais, pode ocorrer durante todo o ano, mas muitas vezes intensifica-se na estação das chuvas e no período que antecede a colheita nas regiões de cultivo de arroz. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças associa as epidemias às monções nos trópicos e ao verão nos climas temperados. Segundo a mesma agência, muitos mosquitos são mais ativos ao crepúsculo e ao amanhecer (ECDC). Os arrozais, as zonas húmidas e os locais onde se criam porcos aproximam o ciclo dos mosquitos das pessoas, e a inundação por irrigação em torno das povoações pode aumentar o risco para os viajantes que dormem ao ar livre sem rede.
Sintomas, gravidade e grupos de maior risco
A maioria das infeções é assintomática ou causa apenas febre e dor de cabeça. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças relata que cerca de 1 em cada 250 infetados desenvolve doença neuroinvasiva grave. A letalidade na doença grave chega a 30%, e até 50% dos sobreviventes apresentam sequelas neurológicas ou psiquiátricas. A Organização Mundial da Saúde estima cerca de 100.000 casos clínicos por ano e aproximadamente 25.000 mortes, com uma taxa de letalidade de até 30% entre as pessoas com sintomas e 20 a 30% dos sobreviventes com sequelas cognitivas, comportamentais ou neurológicas permanentes. Os grupos de maior risco incluem residentes rurais, viajantes de longa duração com exposição rural e viajantes para zonas inundadas por irrigação que dormem ao ar livre sem rede. A Organização Mundial da Saúde relata que 20 a 30 por cento dos sobreviventes sofrem efeitos permanentes cognitivos, comportamentais ou neurológicos da doença.
Quem deve discutir a vacinação antes de viajar
A Organização Mundial da Saúde recomenda que os viajantes que passam muito tempo em zonas endémicas de encefalite japonesa sejam vacinados antes da viagem. Recomenda também que a vacinação seja integrada nos calendários nacionais de imunização onde a doença constitui um problema de saúde pública reconhecido. O NHS aconselha a vacinação a quem viaja para uma parte do mundo onde o vírus existe, sobretudo se ficar mais de um mês, se permanecer em zona rural ou se ficar perto de arrozais, zonas húmidas ou locais onde se criam porcos, ou os visitar. A vacina tem de ser paga e está disponível em clínicas de saúde de viagem e em farmácias com serviços de saúde de viagem. Um profissional de saúde de viagem pode avaliar o itinerário, a época e as atividades face ao risco baixo mas real.
Como é administrada a vacina e o que mostram as provas
A Agência Europeia de Medicamentos afirma que o Ixiaro é uma vacina inativada contra a encefalite japonesa produzida em células Vero. Está indicada para a imunização ativa de adultos, adolescentes, crianças e lactentes a partir dos dois meses, sobretudo pessoas em risco por viagem ou profissão. O esquema padrão é de duas doses com quatro semanas de intervalo: uma dose completa de 0,5 ml para adultos e crianças a partir dos três anos, e 0,25 ml para crianças dos dois meses aos três anos. Os adultos dos 18 aos 65 anos podem receber um esquema rápido, com a segunda dose sete dias após a primeira. A segunda dose deve ser administrada pelo menos uma semana antes da exposição potencial. Num estudo com 867 adultos, 96% dos que receberam as duas doses desenvolveram níveis protetores de anticorpos.
Medidas práticas a par da vacinação
A vacinação é uma camada de proteção, não a única. O NHS aconselha os viajantes a usar repelente de insetos na pele exposta, de preferência com pelo menos 50% de DEET, a dormir sob um mosquiteiro tratado com inseticida e a usar mangas compridas, calças ou saias compridas, meias e calçado. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças também indica mosquiteiros tratados com inseticida, quartos com redes e roupa que cubra o corpo, porque os mosquitos são mais ativos ao crepúsculo e ao amanhecer. Não existe tratamento específico para a doença, pelo que a prevenção assume o peso principal. Os doentes gravemente enfermos necessitam de tratamento hospitalar, pois a doença pode ser fatal e por vezes causar complicações a longo prazo, como paralisia, convulsões e perda de fala. A Organização Mundial da Saúde observa que estão em uso três tipos principais de vacina contra a encefalite japonesa, e uma vacina inativada mais duas vacinas vivas têm estatuto de pré-qualificação.
Sources
- Organização Mundial da Saúde: encefalite japonesa, segundo a qual 24 países das Regiões do Sudeste Asiático e do Pacífico Ocidental da OMS têm transmissão endémica e expõem mais de 3 mil milhões de pessoas, e as pessoas infetadas não desenvolvem virémia suficiente para infetar os mosquitos que se alimentam de sangue
- Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças: informação sobre a doença relativa à encefalite japonesa, que indica os seres humanos e os cavalos como hospedeiros terminais
- NHS: encefalite japonesa
- Agência Europeia de Medicamentos: Ixiaro
Este artigo oferece informação geral, não aconselhamento médico. Consulte um médico ou farmacêutico sobre a sua própria saúde.
