O ECDC contabilizou 124 áreas afetadas e 877 casos de vírus do Nilo Ocidental adquiridos localmente em 15 países europeus em 2026. Eis o que esses números significam.
Vírus do Nilo Ocidental na Europa: o que mostra a época de 2026
O vírus do Nilo Ocidental volta a circular na Europa esta época. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) publica um panorama semanal das infeções humanas. O seu relatório da semana 35 de 2026 foi elaborado em 27 de agosto de 2026 com dados submetidos até 26 de agosto de 2026. Desde o início da época, foram identificadas 124 áreas afetadas pelo vírus em 15 países: Itália, Grécia, Roménia, França, Sérvia, Espanha, Macedónia do Norte, Croácia, Alemanha, Albânia, Áustria, Chipre, Hungria, Kosovo e Países Baixos. Nessa única semana, 25 áreas foram notificadas como afetadas pela primeira vez esta época. Estes números descrevem onde foi registada infeção humana, não onde todos os mosquitos transportam o vírus. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças refere que estes totais nacionais são compilados a partir de dados de vigilância humana.
Como o ECDC define uma área afetada
Uma área afetada é aquela onde foi notificado pelo menos um caso humano de aquisição local durante a época em curso. Os casos são normalmente confirmados segundo a definição de caso da União Europeia. O quadro e o mapa semanais baseiam-se apenas em dados humanos notificados ao EpiPulse Cases e excluem a vigilância animal. Isso é importante ao ler os números. Um país pode parecer calmo porque a sua notificação humana é limitada, não porque os seus mosquitos estejam livres do vírus. O ECDC afirma que o panorama existe para apoiar decisões sobre a segurança do sangue e das substâncias de origem humana ao abrigo das Diretivas 2004/33/CE e 2014/110/UE. Não deve ser encarado como uma avaliação epidemiológica abrangente. Os surtos em equídeos e aves constam do relatório mensal conjunto do ECDC e da EFSA.
O panorama nacional em toda a Europa
Os 15 países notificaram 877 casos humanos adquiridos localmente nesta estação. A Itália é responsável por 428, a Grécia por 222, a Espanha por 79, a Macedónia do Norte por 49, a Roménia por 45, a França por 28 e a Sérvia por 11. A Croácia e os Países Baixos notificam três cada, a Áustria, o Chipre e a Alemanha dois cada, e a Albânia, a Hungria e o Kosovo um cada. Oito casos gregos têm local de infeção desconhecido. As semanas após este retrato trouxeram novas mudanças. O Istituto Superiore di Sanita notificou 432 infeções humanas confirmadas em Itália até 26 de agosto, um aumento face às 312 do relatório anterior. Estas contagens mudam semanalmente, pelo que qualquer número isolado deve ser lido como um retrato datado e não como um total final.
Onde os casos se agrupam em Itália
A vigilância italiana mostra quão desigual é o aparecimento deste vírus. As províncias com circulação demonstrada em vetores, animais ou humanos subiram de 60 em 16 regiões para 66 em 17 regiões até 26 de agosto de 2026. As contagens de casos mais elevadas registaram-se na Lombardia com 114, no Véneto com 74, no Lácio com 63, no Piemonte com 60, na Emília-Romanha com 42, na Campânia com 27 e na Sardenha com 20. Ao nível provincial, Pádua registou 42 casos, Milão 40, Roma 33, Latina 25, Turim 21, Cremona 21 e Oristano 20. Das 432 infeções confirmadas, 223 eram neuroinvasivas, 144 febris e 63 dadores de sangue assintomáticos. Foram notificadas dezassete mortes. A letalidade entre as formas neuroinvasivas confirmadas foi de 7,2 por cento. Entre as infeções neuroinvasivas, três eram casos importados das Maldivas, de França e da Bélgica, e um caso febril foi importado do Burquina Faso.
Transmissão, risco e quem adoece
Os mosquitos adquirem o vírus ao alimentar-se de aves infetadas. Os principais vetores europeus são o Culex pipiens e o Culex modestus, e a maioria das infeções humanas na Europa ocorre entre julho e setembro. Os seres humanos e outros mamíferos são hospedeiros acidentais e sem continuação da transmissão. A transmissão através de transplante de órgãos, transfusão de sangue, gravidez e amamentação está documentada, mas é rara. Nunca foi registada transmissão entre seres humanos através de contacto quotidiano. Cerca de 80 por cento das infeções não causam sintomas. Cerca de 20 por cento desenvolvem febre do Nilo Ocidental, e menos de 1 por cento desenvolve doença neuroinvasiva. A idade avançada e condições como hipertensão, diabetes, doença renal e doenças hematológicas aumentam o risco de doença grave. Não existe tratamento específico, pelo que os cuidados são de apoio.
Sintomas e gravidade a que estar atento
A febre do Nilo Ocidental pode provocar febre, dor de cabeça, cansaço, dores no corpo, náuseas ou vómitos e, por vezes, erupção cutânea ou gânglios linfáticos inchados. A doença grave é diferente. Pode causar febre alta, rigidez do pescoço, desorientação, tremores, convulsões, fraqueza muscular, paralisia ou coma. Cerca de 1 em cada 150 pessoas infetadas desenvolve uma infeção grave do sistema nervoso central, e a taxa de letalidade da doença neuroinvasiva pode atingir 17 por cento. O Diretor Regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Europa, Hans Henri P. Kluge, associa o aumento dos casos a temperaturas mais quentes e verões mais longos, que dão aos mosquitos mais tempo e território para transmitir o vírus. Qualquer pessoa com sintomas neurológicos súbitos deve procurar cuidados médicos de imediato em vez de esperar. Procure aconselhamento junto de um clínico, não de um artigo.
Proteção prática e limites honestos
A proteção baseia-se em reduzir picadas e eliminar criadouros. A OMS recomenda roupa que cubra o corpo, menos tempo ao ar livre ao amanhecer e ao anoitecer, telas em janelas e portas, repelentes aprovados, ar condicionado, ventiladores ou mosquiteiros, e eliminar água parada ao redor da casa. As barreiras físicas funcionam quando são bem especificadas, estão intactas e são usadas corretamente. Uma tela danificada não é proteção. Como não existe vacina nem tratamento específico para pessoas, essas medidas têm peso real, sobretudo para parentes idosos ou imunocomprometidos. Não trate a ausência em um mapa como ausência de risco. As contagens de casos são dados notificados, e os sistemas de notificação diferem. Leia cada número como um retrato datado, aja conforme os passos práticos e mantenha o risco em proporção.
Sources
- Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças: Vigilância das infeções pelo vírus do Nilo Ocidental em humanos na Europa, relatório semanal
- Istituto Superiore di Sanita: Relatório da Vigilância dos casos humanos de vírus do Nilo Ocidental e vírus Usutu em Itália na estação de 2026
- Organização Mundial da Saúde, Escritório Regional para a Europa: vírus do Nilo Ocidental, à medida que os casos aumentam em partes da Europa, eis o que precisa de saber
- Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças: Ficha informativa sobre a infeção pelo vírus do Nilo Ocidental
Este artigo oferece informação geral, não aconselhamento médico. Consulte um médico ou farmacêutico sobre a sua própria saúde.
