As vacinas antimaláricas RTS,S e R21 protegem as crianças contra o parasita da malária mais perigoso. Saiba como funcionam e onde são usadas.
O que são as vacinas contra a malária?
A malária é uma doença grave causada por parasitas transmitidos às pessoas através das picadas de mosquitos infetados. A Organização Mundial da Saúde afirma que a malária causa cerca de 250 milhões de infeções e 600 000 mortes por ano em todo o mundo, sendo as crianças pequenas em África as mais afetadas. As vacinas são uma ferramenta vital para prevenir esta doença. As vacinas RTS,S e R21 são as primeiras recomendadas pela OMS para utilização em crianças. Têm como alvo o Plasmodium falciparum, o parasita da malária mais mortal a nível mundial. Ambas as vacinas treinam o sistema imunitário para reconhecer e combater este parasita. Oferecem uma nova forma de proteger as crianças que vivem em áreas onde a malária é comum, reduzindo o risco de doença grave e morte.
Como funcionam as vacinas?
As vacinas RTS,S e R21 atuam contra o parasita Plasmodium falciparum, conforme confirmado pela Organização Mundial da Saúde. A Agência Europeia de Medicamentos explica que a substância ativa numa destas vacinas é produzida a partir de proteínas encontradas na superfície do parasita e do vírus da hepatite B. Quando uma pessoa recebe a vacina, o seu sistema imunitário produz anticorpos contra estas proteínas. Esses anticorpos atacam então o parasita se este entrar no sangue através de uma picada de mosquito. As vacinas limitam a capacidade do parasita de amadurecer no fígado e causar doença clínica. Isto significa que as crianças vacinadas têm menos probabilidade de desenvolver sintomas de malária e, se desenvolverem, a doença é frequentemente menos grave.
Quem deve receber as vacinas?
A Organização Mundial da Saúde recomenda tanto a RTS,S como a R21 para crianças que vivem em áreas onde a malária é um risco de saúde pública. As vacinas são administradas a crianças a partir de cerca de 5 meses de idade, com um esquema de quatro doses. Uma quinta dose pode ser considerada um ano após a quarta em áreas de transmissão altamente sazonal. As vacinas não são atualmente recomendadas para viajantes ou adultos, pois destinam-se à imunização de rotina em países endémicos de malária. É importante seguir as recomendações oficiais em cada área, conforme indicado pela Agência Europeia de Medicamentos. Estas vacinas são um grande avanço na saúde infantil, oferecendo proteção às populações mais vulneráveis. Ambas as vacinas chegam num esquema de quatro doses, com uma quinta dose possível em áreas altamente sazonais.
Qual é a sua eficácia?
Os ensaios clínicos demonstraram que as vacinas RTS,S e R21 são eficazes na redução dos casos de malária. A Organização Mundial da Saúde relata que, nos ensaios de fase 3, ambas as vacinas reduziram os casos de malária em mais de 50% durante o primeiro ano após a vacinação. Quando administradas sazonalmente em áreas com transmissão altamente sazonal, preveniram cerca de 75% dos episódios de malária. Uma quarta dose administrada um ano após a terceira ajuda a manter a proteção. Num programa piloto com mais de 2 milhões de crianças, houve uma redução de 13% nas mortes entre crianças elegíveis por idade. As vacinas não são 100% eficazes, mas proporcionam uma proteção significativa e podem salvar muitas vidas quando usadas em conjunto com outras medidas. A vacina R21 manteve a eficácia quando uma quarta dose seguiu as três primeiras um ano depois.
Onde estão a ser utilizadas as vacinas?
Até 4 de fevereiro de 2026, 25 países em África estão a oferecer vacinas contra a malária, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Estes países visam mais de 10 milhões de crianças por ano. A vacina RTS,S foi recomendada pela primeira vez pela OMS em outubro de 2021, e a R21 seguiu-se em outubro de 2023. A vacina R21 está agora disponível e espera-se que ajude a satisfazer a elevada procura de vacinas contra a malária. A adição da R21 deverá garantir abastecimento suficiente para todas as crianças que vivem em áreas onde a malária é um risco para a saúde pública. As vacinas são administradas através de programas de imunização de rotina e também são usadas em campanhas sazonais em regiões com transmissão altamente sazonal. A R21 ficou disponível para os países em meados de 2024, ajudando a satisfazer a elevada procura de vacinas.
Qual é o perfil de segurança?
A Organização Mundial da Saúde descreve ambas as vacinas como seguras e eficazes. Ensaios clínicos e programas-piloto monitorizaram a sua segurança. A Agência Europeia de Medicamentos relata que, num estudo com mais de 12.000 crianças, o efeito secundário mais grave foram convulsões febris, que ocorreram em cerca de 1 em 1.000 crianças. Febre foi observada em cerca de 1 em 4 crianças. Estes efeitos secundários são geralmente temporários e controláveis. Os benefícios da vacinação superam largamente os riscos em áreas onde a malária é um grande problema de saúde. As vacinas foram pré-qualificadas pela OMS, o que significa que cumprem padrões internacionais de qualidade, segurança e eficácia, e continuam a ser monitorizadas após a implementação. Convulsões febris e febre são efeitos secundários relatados, mas os efeitos graves permanecem raros.
Um passo em frente no controlo da malária
A introdução de vacinas eficazes contra a malária marca um marco importante na saúde pública. São uma nova ferramenta para complementar medidas existentes, como mosquiteiros e medicamentos preventivos. A Organização Mundial da Saúde sublinha que as vacinas devem ser usadas em conjunto com outras estratégias de controlo da malária. Para o público, estas vacinas oferecem esperança na redução do pesado fardo da malária. Têm o potencial de salvar milhares de vidas jovens todos os anos. A investigação e os programas de vacinação continuam, e com o aumento do abastecimento e custos mais baixos, mais crianças podem ser protegidas. Este progresso é o resultado da cooperação global e representa uma conquista significativa na luta contra a malária. As vacinas contra a malária não são 100 por cento eficazes, mas reduzem significativamente a doença grave e a morte.
Sources
- Organização Mundial da Saúde: Vacinas contra a malária (RTS,S e R21)
- Organização Mundial da Saúde: A OMS recomenda a vacina R21/Matrix-M para a prevenção da malária no aconselhamento atualizado sobre imunização
- Agência Europeia de Medicamentos: Mosquirix, parecer sobre medicamento para utilização fora da UE
- Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças: Informação sobre a malária
