A Andaluzia notifica o caso importado de dengue mais precoce da época
Um caso importado de dengue confirmado na província de Córdoba em 8 de abril estabelece um novo recorde de início de época para Espanha continental. O caso índice regressou da Colômbia; a investigação entomológica encontra focos de reprodução de Aedes albopictus num raio de 200 metros.
A Rede Nacional de Vigilância Epidemiológica de Espanha confirmou um caso importado de dengue na província de Córdoba, com data de notificação de 8 de abril de 2026. O caso índice — um homem de 34 anos sem comorbilidades — regressou da Colômbia a 3 de abril e desenvolveu sintomas dois dias depois.
Este é o caso de dengue importado mais precoce com atividade vetorial contemporânea de Aedes albopictus registada em Espanha continental. O caso de início de época mais precoce anterior com presença de vetor local documentada foi a 24 de abril de 2024, em Valência.
Por que os casos importados importam no sul de Espanha
Um caso importado torna-se um evento epidemiológico quando o viajante regressado se encontra virémico ao mesmo tempo e no mesmo local que uma população vetorial competente. Na Andaluzia, as capturas de Aedes albopictus em armadilhas já registam capturas em abril — não nas densidades de pico estival, mas em níveis suficientes para sustentar uma cadeia de transmissão curta se a introdução ocorrer no microhabitat certo.
A investigação entomológica no caso de Córdoba encontrou Aedes albopictus a reproduzir-se em dois recipientes de plantas ornamentais e num depósito de água abandonado num raio de 200 metros da residência do doente. O doente esteve sintomático durante três dias antes da hospitalização. Todos os contactos domésticos estão sob seguimento.
Não foi confirmada transmissão secundária. No entanto, a RNVE está a tratar este caso como um potencial evento índice e ativou vigilância reforçada para a área censitária envolvente.
O contexto sazonal
A Andaluzia registou a pior época de dengue autóctone da sua história em 2025, com 41 casos adquiridos localmente confirmados nas províncias de Almería e Granada entre junho e outubro. A época de 2025 foi atribuída a temperaturas estivais invulgarmente elevadas, densidades elevadas de Aedes albopictus após um inverno húmido e um número recorde de viajantes virémicos importados provenientes da América Latina e do Sudeste Asiático.
A época de 2026 está a começar com uma pressão de importação mais elevada do que qualquer abril anterior: a contagem global atual de casos de dengue — impulsionada principalmente pela epidemia no Brasil e pela transmissão elevada na Ásia-Pacífico — representa a linha de base de abril mais elevada desde que a vigilância sistemática se iniciou.
A combinação de atividade vetorial precoce, elevada pressão de importação e temperaturas de primavera quentes coloca a Andaluzia, Valência, Múrcia e as Baleares na categoria de risco pré-época mais elevada para transmissão autóctone em 2026.
O que devem saber os viajantes que regressam ao sul de Espanha
- Os sintomas surgem tipicamente 4 a 14 dias após a picada infetante. Qualquer febre nas duas semanas após o regresso de uma região endémica de dengue justifica análise sanguínea.
- A dengue não se transmite de pessoa para pessoa. O risco para os contactos domésticos resulta da exposição partilhada ao mesmo vetor — não do contacto com o doente.
- A proteção física durante o período sintomático é importante: um doente virémico num jardim infestado de mosquitos é um risco de amplificação para a vizinhança.
O mapa de ameaças da Mosticare está a acompanhar a situação na Andaluzia e publicará atualizações à medida que a investigação entomológica conclua.